Na política brasiliense, José Roberto Arruda, inelegível ex-governador, tem se comportado como uma versão atualizada do icônico personagem Santelmo Urubulino. Originalmente criado para satirizar a mania de Elmo Serejo de atribuir a si mesmo o mérito de obras alheias, Arruda parece ter adotado essa mesma estratégia em sua pré-campanha para o Palácio do Buriti.
Em 1990, durante uma das campanhas mais memoráveis de Brasília, Joaquim Roriz, então candidato, usou o personagem fictício Santelmo Urubulino para ridicularizar Elmo Serejo, que frequentemente clamava autoria sobre realizações de outros. O personagem, que olhava para o céu e exclamava: ‘Olha lá a lua, fui eu que fiz!’, virou uma piada nacional, e Elmo acabou em quarto lugar, sendo eternamente lembrado como Santelmo.
Décadas depois, Arruda, que ajudou a popularizar o personagem na época, agora parece ter adotado sua essência, mas não mais como uma piada, e sim como uma estratégia de campanha. Recentemente filiado ao PSD, ele tenta alegar que deixou tudo pronto para que seus sucessores realizassem obras em sua gestão, mesmo com incertezas jurídicas sobre sua elegibilidade.
O ex-governador menciona obras do metrô, que na verdade foram realizadas por Joaquim Roriz, como parte de seu legado. Ele também fala sobre centenas de escolas de tempo integral construídas durante seu mandato, embora muitos brasilienses questionem a veracidade dessas afirmações. Além disso, Arruda ignora fracassos como o shopping popular, que se tornou um espaço abandonado, e os Postos Comunitários de Segurança, que são criticados por sua ineficácia.
A ironia é que, enquanto Elmo Serejo foi o ‘rei das obras que nunca fez’, Arruda se apresenta como o ‘arquiteto das obras alheias’. A política em Brasília, rica em narrativas, revela que, muitas vezes, estas têm mais peso do que os fatos. O personagem Santelmo Urubulino, que surgiu para criticar a apropriação de méritos, agora é utilizado por Arruda como uma forma de autocaricatura, numa tentativa de enganar a população.



