No Distrito Federal, o tratamento da obesidade, com foco especial nos casos mais complexos e nos transtornos alimentares, é coordenado por unidades de referência na rede pública. O Hospital Regional da Asa Norte (Hran) é o único hospital do SUS na região autorizado a realizar cirurgias bariátricas, operando como um centro pioneiro com uma equipe multiprofissional qualificada.
Os pacientes com comorbidades graves, como diabetes e hipertensão, são encaminhados ao Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (CEDOH), que oferece uma ampla gama de especialidades, incluindo endocrinologia, nutrição e psicologia.
O tratamento para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, é centralizado no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), que disponibiliza um ambulatório multidisciplinar, permitindo que os pacientes tenham acesso a consultas com nutricionistas, psicólogos e psiquiatras no mesmo dia.
Para acessar esses serviços especializados, o primeiro passo para os cidadãos é a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde é realizada uma avaliação inicial e o encaminhamento é feito através do Sistema de Regulação do DF.
Impacto na Saúde Pública
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a obesidade como uma doença crônica, enfatizando a necessidade de desenvolver linhas de cuidado contínuas, focadas na prevenção e no acompanhamento a longo prazo, além da redução de complicações associadas.
Essa mudança é uma oportunidade para a saúde pública fortalecer uma abordagem integrada, que pode reduzir internações desnecessárias e a carga sobre os serviços de média e alta complexidade. Segundo a endocrinologista Martha Sanjad, do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), essa nova orientação proporciona uma visão mais realista sobre a doença. “Reconhecer a obesidade como uma condição crônica implica que o sistema de saúde precisa oferecer um cuidado contínuo e planejado, evitando tratamentos pontuais e melhorando a qualidade de vida do paciente a longo prazo”, explica.
O tratamento eficaz requer uma combinação de medicação, dieta equilibrada, acompanhamento contínuo e prática regular de atividade física.
“É uma política pública que considera o presente, mas, principalmente, o futuro.” – Cleber Monteiro, presidente do IgesDF
De acordo com Cleber Monteiro, essa decisão da OMS reforça o planejamento da rede pública e estabelece uma agenda estratégica de longo prazo. “Tratar a obesidade de maneira estruturada é um investimento na sustentabilidade do sistema de saúde. Isso ajuda a prevenir complicações graves, como infartos e AVCs, além de reduzir custos e sofrimento”, avalia.
Enfrentar a obesidade com base em evidências científicas pode melhorar a organização da atenção primária, qualificar o acompanhamento especializado e aliviar a pressão sobre os hospitais.
Obesidade e Saúde Cerebral
Além dos efeitos conhecidos sobre o metabolismo e o sistema cardiovascular, estudos recentes indicam que a obesidade também afeta a saúde cerebral. Pesquisas da Universidade de Washington mostraram que o excesso de gordura corporal pode acelerar em até 95% os marcadores sanguíneos relacionados ao Alzheimer, sugerindo que o processo de neurodegeneração pode progredir mais rapidamente em indivíduos com sobrepeso.



