O ano de 2026 chegou, trazendo à tona um fenômeno familiar para quem observa os bastidores do poder: a política se torna um grandioso espetáculo teatral.
Embora 2022 ainda esteja fresco na memória, a corrida pelo “pote de ouro” já começou, e, com ela, surgem personagens prontos para brilhar.
Repentinamente, todos se apresentam como modelos a serem seguidos: pais de família exemplares, filhos carinhosos, fervorosos religiosos e defensores de valores morais. Redes sociais e podcasts estão repletos de virtudes que se assemelham a talentos artísticos. O problema é que, muitas vezes, essas virtudes não passam de meros figurinos.
A Era dos Personagens
A política atual não se difere muito de um reality show. Assim como em programas como A Fazenda ou Big Brother, o público não vota em propostas concretas, mas na construção de personagens.
Questões como saneamento básico, planejamento urbano e gestão eficiente raramente fazem parte do debate. O eleitor opta por aquele personagem com o qual se identifica emocionalmente, seja o “bonzinho”, o “coitadinho”, o “salvador” ou o “bom samaritano”.
Políticos têm compreendido isso de forma eficaz.
Elaboram personagens que aparentam se preocupar com tudo e todos, prometendo cuidar das pessoas e transformar vidas. No entanto, frequentemente, o discurso não é mais do que uma encenação. A política se transforma em palco, e o mandato, em prêmio.
O Poder por Trás do Discurso
É fundamental esclarecer: a política, quando utilizada de forma adequada, pode sim provocar mudanças significativas. O problema surge quando o discurso de bondade se torna um mero atalho para o poder.
Nos bastidores, existe uma máxima antiga e cruelmente verdadeira: “Um político não precisa de um bilionário, mas um bilionário sempre precisará de um político.”
Essa realidade ajuda a elucidar muitos comportamentos.
A busca pelo poder desencadeia frustrações, invejas e discursos disfarçados de oposição moral. Muitos dos que criticam ferozmente os ocupantes do cargo fariam exatamente o mesmo — ou pior — se estivessem em seus lugares.
Não se trata de indignação, mas de um desejo ardente de poder.
Promessas que Não Fecham a Conta
Outro ponto relevante é o discurso da “renovação”, que se torna proeminente nesse período. Porém, a matemática não mente.
No caso da Câmara Legislativa, por exemplo, é improvável que mais de 11 cadeiras estejam realmente em disputa. Das 24, muitas tendem a ser reeleitas, enquanto outras se abrem apenas porque seus ocupantes buscam cargos maiores.
Ainda assim, surgem centenas de candidatos fazendo promessas de melhorias, garantindo que “agora vai”. No entanto, a conta simplesmente não fecha.
Fingir Carisma Também Cansa
Um dos aspectos mais embaraçosos dessa fase é o carisma ensaiado. Sorrisos forçados, abraços calculados e empatia artificial são facilmente percebidos. Fingir carisma se torna cansativo — alguns personagens conseguem funcionar, outros não convencem ninguém. O problema é que, na política-espetáculo, muitas vezes sai vitorioso quem atua melhor, e não quem está realmente preparado.
Moral da História
A era teatral da política está oficialmente em andamento. Todos parecem virtuosos, corretos e perfeitos.
No entanto, a natureza humana é falha, contraditória e repleta de imperfeições.
Cabe ao eleitor decidir: irá votar no personagem bem montado ou tentará ver além do figurino?
No final das contas, esse é o jogo. E fingir que não é… também faz parte do teatro.



