A prisão de Jair Bolsonaro e os aplausos de Lula podem provocar uma comoção no país. Em um Brasil onde a emoção permeia as decisões, a dor pode se transformar em votos e reverter o cenário atual, apesar das pesquisas que indicam o contrário.
As eleições de 2026 não representarão apenas uma disputa de propostas, mas sim um julgamento sobre o uso do poder estatal contra opositores em um país dividido. Bolsonaro, que deixou de ser apenas um ex-presidente, agora simboliza a resistência da direita conservadora.
Seu encarceramento, a deterioração da sua saúde e a negativa a pedidos de tratamento humanitário reforçam a ideia de que o sistema escolheu um lado, se posicionando como carrasco. É necessário questionar o contexto das decisões judiciais, já que o mesmo Supremo Tribunal que mantém Bolsonaro preso anulou condenações de Lula, restituindo-lhe direitos políticos sem uma absolvição de mérito.
Para muitos eleitores conservadores, a mensagem é clara: a lei parece ser aplicada de maneira desigual, beneficiando alguns enquanto penaliza outros. Enquanto um está preso, outro governa e lidera as pesquisas eleitorais.
Nesse cenário, Bolsonaro se transforma em um mártir involuntário, representando a resistência à percepção de injustiça. A direita, dividida, tenta se reorganizar em torno de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, utilizando o sofrimento de Jair como um ponto de união.
Não é um culto à dor, mas uma reação a uma percepção de injustiça. Para muitos brasileiros, o voto não será apenas em um candidato, mas contra um sistema. Lula, por sua vez, representa a revanche de quem também já foi preso e se apresenta como a normalidade democrática, mesmo carregando a marca de ter retornado ao poder graças a decisões judiciais.
Em outubro, os brasileiros não apenas decidirão entre direita e esquerda, mas se aceitarão a política controlada por cortes, reafirmando que a soberania popular não pode ser suprimida por juízes, mesmo que suas decisões sejam legais. A eleição será guiada por memórias, ressentimentos e identidades, onde a martirização de Bolsonaro, consumido em uma cela, pode se transformar em uma poderosa ferramenta política contra um sistema que não consegue pacificar o país.



