A recente divulgação de uma pesquisa indicando o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) como favorito nas intenções de voto para o Governo de Goiás em 2026 tem gerado polêmica no cenário político do estado. Analistas e observadores apontam que o levantamento foi apresentado de forma inadequada, levantando suspeitas sobre possíveis interesses políticos do próprio ex-chefe do Executivo, que governou Goiás por quatro mandatos consecutivos.
Segundo os dados, Marconi aparece com 33,05% das intenções de voto, superando o atual vice-governador Daniel Vilela (MDB), que tem 28,7%, e o senador Wilder Morais (PL), que registra apenas 8,4%. Contudo, o estudo também revela um dado preocupante: Marconi lidera o índice de rejeição, atingindo 20,4%, um percentual consideravelmente maior que o dos outros pré-candidatos.
O cientista político Marcos Paulo Lemos ressalta que o enfoque dado apenas à liderança eleitoral ignora aspectos cruciais para uma interpretação correta da pesquisa. ‘Marconi Perillo já governou Goiás por cerca de 20 anos, o que naturalmente gera um alto nível de rejeição. Ignorar esse contexto histórico e político resulta em uma leitura distorcida da realidade’, afirma Lemos.
Ele acrescenta que a alta taxa de rejeição é um sinal claro de desgaste acumulado e é um fator determinante em qualquer eleição. ‘Não se pode analisar intenção de voto sem considerar o impacto da rejeição. Esse é um indicador que muitas vezes define o resultado final de uma eleição’, conclui.
Outro aspecto que intensifica as críticas é que o levantamento também apresenta um cenário favorável a aliados históricos de Marconi em outras disputas, o que levanta questionamentos sobre a metodologia e o momento da divulgação dos dados. Especialistas alertam que pesquisas eleitorais devem ser avaliadas com cautela, levando em conta não apenas os números apresentados, mas também o contexto político, o histórico dos candidatos e a metodologia utilizada. Sem essa análise, os dados podem ser mais um instrumento de narrativa política do que um reflexo genuíno da opinião dos eleitores goianos.



